2026
Teatro Acedémico de Gil Vicente e Biblioteca Municipal de Coimbra Nada é impossível de mudar - Poética da Revolta
Voltar ao Topo Disponível para itinerância

Beleza e Guerra: a arte como resistência e testemunho

O tema da Semana Cultural é a Beleza — mas o que significa beleza num mundo atravessado pela destruição e pela guerra?
Ao longo da história, a guerra tem sido não só uma tragédia humana, mas também uma força que desafia a arte e os artistas.
A beleza, nesse contexto, não surge da harmonia ou da paz, mas muitas vezes do contraste entre o horror e a esperança, entre o desespero e a capacidade humana de criar.
O cinema e a poesia do século XX são exemplos disso. Filmes como Alemanha, Ano Zero (1948), de Roberto Rossellini, mostram a ruína física e moral da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. As imagens são duras, quase sem cor, mas nelas há uma beleza austera, que nasce da verdade. Já Leni Riefenstahl, com os seus filmes de propaganda como O Triunfo da Vontade, mostrou outra face da relação entre arte e guerra — a beleza ao serviço do poder, a estética que seduz e manipula.

Na poesia, Bertolt Brecht escreveu versos que questionam e resistem. No poema “Nada é impossível de mudar”, o poeta lembra-nos que mesmo diante da destruição, a arte pode afirmar a esperança. Para Brecht, a poesia não deve ser um refúgio da realidade, mas uma ferramenta de transformação ou revolução.
Já Theodor W. Adorno afirmou: “Escrever poesia depois de Auschwitz é um ato bárbaro.”
A frase, muitas vezes mal compreendida, não significa que a arte deva acabar, mas que depois ou perante do horror, a arte não pode ser ingénua. A beleza, depois de Auschwitz, só tem sentido se for consciente da dor, da perversidade da humanidade desumanizada.

Assim, talvez possamos dizer que a beleza — mesmo nascida da guerra — é uma forma de preservar a humanidade.
Porque a arte, ao transformar o sofrimento em imagem, palavra ou som, não o nega, mas dá-lhe sentido.
E é nessa transformação que a humanidade se reencontra a si mesma.
O recital pretende unir palavra à imagem mostrando que, mesmo no cenário mais sombrio, a arte é uma forma de resistência e de afirmação da humanidade.

Cristina Janicas

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Ficha Técnica

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    Nada é impossível de mudar – Poética da Revolta, recital performativo, a partir da poesia de Bertolt Brecht

    Guião, encenação e figurinos: Cristina Janicas
    Interpretação: Alexandra Silva, António Gamboa, Carolina Cardoso, João Janicas, José Nelas, Maria Manuel Almeida, Susana Faria
    Movimento: Catarina Trota
    Design gráfico: Beatriz Portugal
    Vídeos: Sérgio Gomes
    Fotografias: João Duarte e Cristina Janicas
    Operação de vídeo: José Rocha Almeida
    Desenho de luz: Nuno Patinho

    Criado como atividade paralela à peça de Bertolt Brecht, «Os cabeças redondas e os cabeças bicudas ou os ricos dão-se bem com os ricos» e produzido no âmbito da na XXVIII Semana Cultural da Universidade de Coimbra, para apresentação no TAGV, a 6 de março, no contexto de uma série de recitais que a Bonifrates em parceria com o TAGV, com o título «De poemas se fingem poetas».
    Apresentado também a 21 de março, Dia Mundial da Poesia, na Biblioteca Municipal de Coimbra, no contexto da parceria para o ciclo de recitais «Eles vivem de noite».

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