Este recital performativo assinala, dando voz aos seus poemas, o centenário do desaparecimento de Camilo Pessanha, natural de Coimbra, expoente máximo do simbolismo em Portugal.
Nele, alia a arte de dizer ao movimento: a palavra é senhora e o movimento e a música ajudam a criar o ambiente que serve a palavra.
Partindo de uma leitura dialogante da poesia de Camilo Pessanha e da sua circunstância à luz da nossa contemporaneidade, este recital performativo apresenta-nos um Pessanha permanentemente em viagem. Não a viagem física, real, entre Portugal e Macau, lugar de exílio, mesmo que exílio em parte voluntário, mas a viagem em busca da sua identidade e do sentido da vida – “Que eu, desde a partida, não sei onde vou. Pessanha perdido de si mesmo, desintegrado – “Miragens do nada/Dizei-me quem sou …”
Pessanha que revive um Portugal da sua infância que já só é memória – “Imagens que passais pela retina/dos meus olhos, porque não vos fixais?”. Pessanha que, embora seduzido pela língua cantonense, pela literatura e arte chinesa é sempre um estrangeiro. No fundo, Pessanha estrangeiro em terra sua e em terra alheia. (cf Carlos Ascenso André, Contradições do sentimento de ausência em Camilo Pessanha). Pessanha sofrido. As dores do exílio, do desamor, da solidão, do olvido, da ausência pulsam nos seus versos ritmados como música e é por isso que a sua poesia “deve ser ouvida, muito mais do que ser lida”. E na sua musicalidade, neste nosso recital, corpos em movimento acompanharão os acordes da palavra.