Ficha Técnica Encenação e dramaturgia Deolindo Pessoa Produção Bonifrates Cenografia e figurinos Carlos Madeira Desenho de Luz Luís Barbeiro Montagem de dispositivo cénico Pedro Santos Direcção de Cena Zé Correia Emissão de rádio João Ricardo Madeira Operador de Luz Tiago André Cartaz Tiago Madeira Publicidade João Paulo Janicas Fotografia João Gordo Cabeleireiro Ilídio Design Actores “ Monólogo” Fernando Taborda Lara Guardão “O Céptico” Pedro Santos “O Pastor” Nuno Bonito “ Parábola da Miraculosa Salvação” João André “ Confissão sobre Berto” Maria José Almeida “ Um Facto” Alexandra Silva Nuno Bonito “ Ser Subtil” Ana Bento “É Pena…” Rosário Figueiredo “Um Asilo de Velhos” Francisco Paz “As Cépticas” Carla Pinto Cristina Janicas Guias de exposição Zé Correia Marta Pessoa Sara Sales Ana Paula Almeida |
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Notas breves sobre o espectáculo É um espectáculo teatral onde se pretende mostrar vários quadros teatrais, baseados em contos de Mrozech, seguindo o “ritual” habitual das visitas que se efectuam a qualquer exposição de pintura ou museu. O “local de acção”, ou espaço teatral, recriará uma galeria de exposições ou museu com diversas salas em funcionamento. Os espectadores, ou “visitantes”, não ficarão comodamente sentados durante a função, terão de percorrer o espaço teatral onde estão expostos os diferentes quadros teatrais, como acontece em qualquer museu ou galeria de exposições. Cada quadro será repetido as vezes necessárias para perfazer o tempo estipulado para a duração do espectáculo, que é de 120 minutos. Os “personagens” deste espectáculo sofrem todos de solidão e procuram espantar os seus fantasmas, embora cada um à sua maneira. Vivem de recordações, reais ou imaginárias, pouco importa, mas estão acomodados e sentem-se sem futuro. Estão desalojados da esperança na vida, arrastam-se na impotência para mudar de vida. Todos coabitam com o absurdo e o humor negro. O espectáculo assenta ainda em três ideias básicas: 1. nas visitas a qualquer museu, onde as pessoas podem seguir o trajecto que entenderem e demorarem o tempo que desejarem a apreciar qualquer quadro, podendo mesmo voltar atrás para observarem melhor; 2. nas sessões contínuas de cinema, onde os espectadores podem entrar em qualquer altura e saírem quando muito bem quiserem; 3. nas emissões de rádio nos seus tempos gloriosos, que moldaram o imaginário de sucessivas gerações até aos anos 60. sobre o autor Slawomir Mrozek nasceu em Borzecin *Cracóvia, Polónia (em 1930. Filho de um empregado dos correios e descendente de uma família de camponeses, estudou Arquitectura e Belas/Artes e frequentou a Escola Superior de Jornalismo de Cracóvia. Antes de ser novelista e dramarturgo, foi caricaturista em jornais polacos e crítico de teatro. Viajou pela Rússia, E.U.A., França, Itália e Inglaterra. Iniciou-se no teatro como novelista em 1955, embora se saiba que já escrevia contos desde 1953. A colectânea “O elefante” (1957) publicada em Portugal em 1971 pela Editorial Estampa, obteve na Polónia o grande prémio nacional de literatura, em 1958, e o prémio de humor negro, em 1964. Todavia, a justa fama de que goza Mrozek (traduzido e representado em todo o mundo) advém-lhe da sua obra teatral, onde raciocínio e humor negro, ambiguidade e sentido crítico profundo (dos homens e das instituições) se entrelaçam. Fortemente influenciado por Wyspianski e Witkiewics, os dois dramaturgos tutelares da vanguarda da Polónia, de que recebeu as marcas tipicamente polacas de força poética e densidade barroca, Mrozeck utiliza com frequência a alegoria e a metáfora, que considera o meio de expressão mais simples e eficaz para o drama dos nossos dias. Poucos autores, como ele, saberão fazer uso dos momentos-limite, da paródia trágica, da sátira amarga. São temas constantes na sua dramaturgia: os encontros e desencontros do binómio indivíduo-sociedade, a liberdade frente aos mais variados poderes que a oprimem, a abdicação ante o colectivo, as desinteligências entre gerações. Como dramaturgo estreou-se em 1961, com três peças em um acto: “No Alto Mar”, “Karol” e “Strip-tease”. Porém, o autor dramático revelara-se já a partir de 1958, nas pequenas peças representadas nos cabarets satíricos de Varsóvia e Cracóvia. Sob a aparência de simples sketches, escondia-se já um mecanismo essencialmente teatral. |
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