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Ficha
técnica
Texto:
Anton Tchekhov,
Padre Jerónimo da Mota
José Miguel Sardo
e Pedro Carlos de Alcântara Chaves
Adaptação e Encenação
João Paulo Janicas
Cenografia e Figurinos
Carlos Madeira
Desenho de Luzes
Nuno Patinho
Música e efeitos sonoros
- Amilcar Cardoso
Produção:
Cooperativa Bonifrates
Cartaz e Programa:
Rita Madeira
Fotografias:
Nuno Patinho
Actores
Alexandra Gaspar
- Enfermeira e Josefina
Alexandra Silva
- Auxiliar de Acção Médica e Joana
Fernando Taborda
- Paciente-Nioukhine e Silvestre
Francisco Paz
- Paciente-Solitário e Carlos
João Gouveia
- Paciente-Moralista e Cozinheira
Pedro Fernandes
- Psiquiatra e Aniceto
Ofélia Libório
- voz off
Penteados:
Carlos Gago
Adereços:
Helena Marques
Carpinteiro:
Sr. Inácio
Costureiras:
Conceição Castro
Apoios
Câmara Municipal de Coimbra,
Ilídio Design,
Diário As Beiras,
Diário de Coimbra,
RDP,
RUC
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o
Espectáculo
Lançámo-nos para esta
produção teatral empurrados pela referência mítica
do monólogo Os malefícios do tabaco de Tchekhov
a que se juntou a descoberta fortuita do conto Não Fumar de José Miguel
Sardo nas páginas de um jornal. Foi o encontro entre estes dois
textos que fez nascer o desejo dramático e, de seguida, a procura
dos contrapontos do enredo que vieram com o escrito do Padre Jerónimo
da Mota e a comédia de costumes de Pedro Carlos de Alcântara
Chaves, Viva a liberdade… do tabaco.
No cruzamento
desses textos se cruzam as tensões
contraditórias que os hábitos humanos ligados ao consumo
do tabaco desde sempre e também hoje provocaram.
O que neles se mostra nitidamente é a cumplicidade entre os
hábitos tabágicos e as particularidades do ser humano,
ou seja, que nos comportamentos ligados aos consumo do tabaco se projectam
e manifestam os próprios desejos e frustrações,
os sonhos e os pesadelos, as ousadias e os medos, os vícios
e as virtudes dos homens.
Assim,
o falar do tabaco não pode ser
um discurso simples, linear ou de clareza maniqueista, pois, em última
instância, do que se fala é do nosso complexo e ambíguo
modo de ser. Assim, quando se julgam os hábitos tabágicos,
emitem-se sentenças sobre comportamentos humanos, sentenças
que só têm a justa medida da cabeça de quem as
profere, quer dizer, são frágeis construções
humanas em que, o mais das vezes, é muito subtil a diferença
entre o bem e o mal. Por isso, malefícios e outras virtudes
do tabaco.
Assim,
as arrogâncias e os fundamentalismos
purificadores anti-tabágicos, tal como outras ideologias anunciadoras
de uma humanidade definitivamente limpa, saudável e quase imortal
(por via de tecnologias várias como a clonagem, certa psicologia
ou um liberalismo globalmente apaziguador), mais não serão
do que formas encapuçadas de hipocrisia dos mais fortes e da
sua vontade de dominação, tal como o médico que,
durante a consulta, exala sobre o paciente atacado de bronquite asmática
os prazeres do fumo juntamente com decretos e ameaças policiais.
Quanto
ao objecto teatral que construímos,
ele foi sendo entretecido como uma trama lassa de relações.
Quer dizer que os fios que tecemos ou puxámos, tanto no enredo
dramatúrgico como na sua encenação, nunca são
totalmente rematados ou cortados a direito. Por isso, estamos num lugar
de qualquer parte e num tempo de muitos tempos; participamos de um
diálogo de monólogos e de um entremez definitivamente
episódico; partimos de um amontoado supostamente aleatório
de mobiliário e de um biombo de luz que mostra/esconde pouco
a pouco; conhecemos personalidades falhadas e identidades duplas; arremedamos
a análise psicanalítica e as sessões de psicodrama…
Mas
perante a ambiguidade e a indistinção
que quisemos propor, foi no cimento da estrutura plástica, da
música e, mais que tudo, do trabalho dos actores que fazem o
espectáculo, que procurámos encontrar a unidade dos momentos
e a densidade das alusões.
Que
eu saiba, o homem é o único
animal que fuma e é desta estranha particularidade que esta
peça teatral fala.
João
Paulo Janicas
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