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Rei Ubu (1992)

Teatro chamado a desvendar as contradições da nossa condição, “O réu Ubu” contribui para modificar radicalmente a relação entre o espectador e o actor.

Partindo da ideia de J. Joyce enunciada em “Ulisses”: a arte deve apenas revelar-nos ideias, essências espirituais libertadas de qualquer forma”, eu optei por uma encenação e figurinos pertencente a uma política do símbolo. O romantismo burguês, diminuindo a sua confiança no poder intelectivo do público, dissolveu o símbolo, que o teatro greco, medieval e da “commedia dell’arte” praticavam, em pormenor.

Começou-se a utilizar fatos verdadeiros e já não significantes. O fato deverá permitir ao autor de actuar sem peso parasita nas sua tarefas essenciais, isto é, transmitir o significado profundo da obra. Tentei encontrar nos fatos, sendo eles uma escrita, uma ambiguidade que se coloca ao serviço da obra de Jarry. O fato demasiado belo ou desmaiado feio não permite esta leitura, e falha a sua função. Tentei que o guarda-roupa não seja demasiado imponente, sem que, no entanto, deixe de existir.

O trabalho de encenação foi o de transmitir tudo o que está no amor, no crime, na guerra ou na loucura, agindo sobre os nervos e o coração do espectador, descobrindo uma linguagem a meio caminho entre o gesto e o pensamento.

O texto de Jarry é intemporal, jogamos uma intemporalidade simbólica num cenário vazio.