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Tão alegres que viemos! (2010)

O espectáculo “Tão alegres que viemos!”, com que a Bonifrates quer festejar o seu percurso de 30 anos de actividade, é o resultado de um longo caminho. Durou mais de um ano de trabalhos. Não continuamente mas em vagas: de ideias, de peças, de personagens, de escrita, de ensaios, de músicas…

Como o conceito que inventámos para a estrutura do espectáculo - não uma soma de quadros ou cenas, mas uma sucessão de vagas dramáticas, onde fluxo e refluxo, realidade e sonho, vida e jogo, actores e personagens, se envolvem entre si, sem interregnos. Como quem respira.

Como um ciclo que continuamente se repete e se completa - num ensaio que recomeça, nos sonhos de um velho actor e nos pesadelos dos meninos, nas histórias dos pais e nas descobertas dos filhos, em cada bonifrate nascido com alma de jogral…

Como se o rossio coubesse na betesga e a multidão de personagens, actores e músicos, à mistura com marionetas, restos de cenário e adereços, pudesse subir, sem horas contadas, ao palco-seis-por-seis desta garagem subterrânea.

Como na ideia de viagem que transparece no título da peça, “Tão alegres que viemos!”… - para que o lamento de Sancho Pança possa permanentemente ser negado pelo grito de D. Quixote, as aventuras contadas combatam sem tréguas as inquietações futuras e o sonho não sucumba à desilusão…

    João Paulo Janicas